Assédio no ambiente de trabalho não é uma novidade, mas infelizmente ainda percorre corredores, reuniões e até conversas virtuais de muitas empresas. Nós, do Pesquisa NR1, notamos que, apesar dos avanços legais e das campanhas de conscientização, os sinais precoces de assédio costumam ser ignorados por quem deveria combatê-lo: as lideranças. E, como resultado, o ambiente se torna cada vez mais pesado e doentio.
Por que o assédio é ignorado?
Em nossas análises e consultorias, escutamos frases como “isso é só uma brincadeira”, “faz parte da pressão” ou “quem não aguenta não deveria trabalhar aqui”. Essas colocações escondem uma cultura enraizada, em que assédio é minimizado, oculto e até normatizado.
Mas por que tantos gestores fingem não ver? Em primeiro lugar, há um desconhecimento genuíno sobre o que configura assédio, especialmente quando se trata dos chamados riscos psicossociais descritos na NR-1. Muitos mitos permanecem: o assédio sempre é gritante, precisa ser público, ou vir de alguém com alta hierarquia. No entanto, a realidade é mais sutil e perigosa.
Impactos do silêncio sobre o assédio
Ignorar sinais de assédio permite que situações se agravem, levando a quadros sérios de adoecimento mental e físico dos colaboradores.No longo prazo, isso se traduz em afastamentos, processos judiciais e clima tóxico. Um gestor que ignora o problema não está apenas descumprindo sua função, mas também aumenta riscos para a empresa.
A negligência de hoje se converte no passivo trabalhista de amanhã.
Sinais de alerta invisíveis (mas reais)
Nossa experiência mostra que muitos dos sinais de alerta do assédio são tão cotidianos que se tornam quase transparentes aos olhos da gestão. Eles se manifestam em pequenas atitudes, comentários e mudanças no comportamento dos times.

Listamos abaixo alguns dos principais sinais, identificados em diagnósticos do Projeto Pesquisa NR1 e que costumam passar despercebidos:
- Mudanças no comportamento: colaboradores que antes eram participativos passam a se isolar nas reuniões e evitam dar opiniões.
- Rotatividade acima do normal: pedidos de desligamento recorrentes no mesmo setor ou equipe sugerem um ambiente tóxico.
- Sintomas físicos frequentes: relatos de insônia, dores de cabeça e stress sem causa médica aparente devem levantar suspeitas.
- Comentários depreciativos: piadas ofensivas, ironias e apelidos desrespeitosos são tolerados e repetidos sem reprimenda.
- Interrupção constante: colaboradores não conseguem concluir falas ou tarefas devido à intervenção excessiva (ou agressiva) de superiores ou colegas.
- Sobrecarregamento direcionado: imposição de tarefas além da capacidade apenas para alguns membros do time, normalmente sem justificativa plausível.
- Evitação de gestores específicos: funcionários fogem de reuniões, conversas ou feedbacks com determinada chefia.
- Ambiente de segredo e desconfiança: boatos, cochichos e medo de retaliação por falar abertamente sobre problemas.
Um ponto importante é que o assédio não se manifesta apenas entre gestor e subordinado. Relações horizontais, entre colegas, também devem ser mapeadas. Assédio moral organizacional, em que a cultura da empresa fomenta práticas abusivas, é ainda mais nocivo.
Gestores e a responsabilidade de agir
A legislação brasileira, por meio das Normas Regulamentadoras como a NR-1, já define que o empregador tem o dever de zelar pela saúde psicológica e física dos empregados. Porém, não basta transmitir recados na SIPAT ou enviar circulares genéricas. O mapeamento ativo dos riscos psicossociais deve ser um compromisso real, estratégico, contínuo.
O gestor precisa enxergar além dos números e dos resultados: é preciso identificar, prevenir e combater o assédio, mesmo quando ele acontece “nas entrelinhas”.Desafios para os líderes
A pressão por resultados e a cultura de “entregar a qualquer custo” ainda alimentam a tolerância ao assédio. Recebemos muitos relatos de lideranças que temem perder a mão da equipe caso “peguem leve demais”. Isso revela um equívoco profundo: criar um ambiente seguro nunca é sinônimo de afrouxar metas, mas sim de alinhar expectativas com respeito.
Mapeamentos realizados com nossa plataforma mostram que, quando gestores são treinados para identificar riscos psicossociais, a percepção de segurança psicológica aumenta entre os times.
Como identificar o assédio antes que seja tarde?
O foco sempre deve estar na prevenção. Por isso, destacamos práticas que contribuem para enxergar problemas antes de se agravarem:
- Fomentar canais de escuta anônima:
Ferramentas digitais e pesquisas de clima permitem que colaboradores relatem situações sem medo de retaliação.
- Acompanhar indicadores de saúde:
Absenteísmo, afastamentos e alto turnover sinalizam consequências de ambientes insalubres psicologicamente.
- Observar padrões comportamentais:
Monitorar não só o desempenho, mas também o bem-estar coletivo e mudanças repentinas de postura no grupo.
- Promover conversas abertas:
Feedbacks transparentes sobre o clima permitem identificar mal-estares que poderiam evoluir para assédio.
- Treinar lideranças regularmente:
A educação constante sobre riscos e formas de agir diante do assédio mantém o tema vivo.
Não basta enxergar o problema: é necessário agir rápido e de forma estratégica.
O papel do Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)
A incorporação dos riscos psicossociais à NR-1 tornou obrigatório o diagnóstico e o gerenciamento desses perigos. Isso significa ir muito além da avaliação de riscos físicos.
Ferramentas como a Pesquisa NR1 automatizam o diagnóstico, tornam o risco visível e oferecem indicadores auditáveis, facilitando a tomada de decisão e prestação de contas junto a órgãos reguladores.Além disso, relatórios e dashboards facilitam o entendimento do clima organizacional. É possível enxergar onde os riscos estão concentrados e quais intervenções são mais urgentes.
Exemplos de situações ignoradas no dia a dia
Enxergamos muitos casos como estes durante a aplicação de nossas pesquisas:
- Equipe de vendas em que metas são revistas para cima após cada conquista, sem descanso ou diálogo, gerando exaustão e rotatividade alta.
- Ambiente de TI com líderes que se referem a subordinados por apelidos pejorativos, sem que os responsáveis reconheçam o prejuízo à saúde mental.
- Setores de produção nos quais erros são expostos em murais públicos, servindo de exemplo negativo para o grupo.
- Funcionários frequentemente excluídos de decisões, reuniões ou eventos coletivos, sentindo-se cada vez mais isolados.

Essas situações poderiam ser evitadas com a escuta ativa e um olhar atento para indicadores comportamentais e registros de saúde ocupacional.
Como agir se identificar sinais de assédio?
Quando algum sinal for percebido, agir com responsabilidade é fundamental. Sugerimos os seguintes passos:
- Acolher a vítima e garantir sigilo nas apurações para evitar represálias.
- Investigar o ocorrido de forma transparente e documentada.
- Aplicar medidas corretivas e educativas, que vão do diálogo à responsabilização do agressor.
- Reforçar ações preventivas e comunicar à equipe sobre o compromisso com um ambiente saudável.
Analisar o ambiente de trabalho sob a ótica dos riscos psicossociais é uma obrigação legal, mas acima de tudo, um compromisso com pessoas.
O que a empresa ganha ao enfrentar o assédio de frente?
Quando lideranças deixam de ignorar e passam a prevenir e combater o assédio, os benefícios são sentidos rapidamente:
- Redução do turnover e do absenteísmo.
- Menos afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho.
- Melhoria da imagem da empresa no mercado.
- Clima organizacional mais saudável e colaborativo.
- Maior engajamento e bem-estar das equipes.
Quer entender mais sobre os riscos psicossociais e o impacto nas organizações? Temos uma categoria especial sobre riscos psicossociais e outra abordando o tema psicossocial no nosso blog.
Além disso, discutimos 7 sinais que sua empresa ignora riscos psicossociais e detalhamos como aplicar a NR-1 no gerenciamento destes riscos. Todo esse conteúdo parte das necessidades identificadas nas pesquisas do Pesquisa NR1.
Gestores atentos salvam carreiras e preservam pessoas.
Conclusão: agir é obrigação, não escolha
O combate ao assédio é urgente. Não basta sermos espectadores do sofrimento alheio—gestores são responsáveis por ações concretas e imediatas. Com o apoio do Pesquisa NR1, as empresas podem transformar dados em diagnósticos e criar um ambiente pautado no respeito e na segurança psicológica.
Se você também acredita que é possível mudar a realidade do seu time e construir um ambiente sadio, conheça nossos serviços de mapeamento e diagnóstico de riscos psicossociais. Podemos te ajudar a identificar sinais que passam despercebidos e a atuar antes que seja tarde. Fale conosco e faça parte dessa mudança agora.
